Nos últimos dias, o presidente da Argentina, Javier Milei, se viu no centro de um escândalo envolvendo a criptomoeda $LIBRA, um ativo digital que ele promoveu em suas redes sociais. A controvérsia rapidamente escalou para uma crise política de grandes proporções, com denúncias de fraude, manipulação de mercado e um possível processo de impeachment contra o líder argentino.
O colapso da $LIBRA desencadeou uma onda de repercussões políticas e legais. A oposição argentina não perdeu tempo e formalizou denúncias contra Milei, acusando-o de associação ilícita, estelionato e manipulação de mercado. Além disso, iniciaram discussões sobre um possível processo de impeachment.
Poderia Milei realmente perder o cargo por conta de uma criptomoeda?
Investidores perdem milhões com golpe de criptomoedas promovido por Milei
Após a promoção da criptomoeda $LIBRA pelo presidente argentino Javier Milei, investidores enfrentaram perdas financeiras significativas devido ao colapso abrupto do valor do ativo digital.
Em 14 de fevereiro de 2025, Milei utilizou sua conta oficial no X para divulgar a $LIBRA, apresentando-a como uma oportunidade de investimento destinada a financiar pequenas empresas e startups na Argentina. A promoção presidencial gerou um aumento expressivo no interesse dos investidores, resultando em uma valorização inicial da criptomoeda. No entanto, poucas horas depois, Milei apagou a publicação, e o valor da $LIBRA despencou, causando prejuízos milionários aos investidores.
Especialistas em criptomoedas identificaram o evento como um possível caso de “rug pull“, um esquema em que os criadores de um ativo digital inflacionam artificialmente seu valor para, em seguida, venderem suas participações. Deixando, assim, os demais investidores com ativos desvalorizados. Estima-se que mais de 40 mil pessoas tenham sido afetadas, com perdas que ultrapassam os US$ 4 bilhões.
A situação gerou indignação entre os investidores e a população em geral, levando a uma série de denúncias penais contra Milei. Advogados argentinos o acusam de “associação ilícita” e “estelionato”, argumentando que o presidente utilizou sua posição de autoridade para promover um ativo financeiro sem a devida diligência, resultando em um esquema fraudulento que prejudicou milhares de pessoas.
Em resposta às acusações, o gabinete presidencial negou qualquer envolvimento direto de Milei no desenvolvimento da $LIBRA, afirmando que ele apenas compartilhou informações sobre a criptomoeda e, ao perceber o potencial de especulação, optou por remover a publicação para evitar maiores danos. Apesar disso, a confiança dos investidores e da população na liderança de Milei foi seriamente abalada, e o incidente continua a ser objeto de intensas investigações legais e debates políticos na Argentina.
Enquanto isso, detetives on-chain rapidamente identificaram que o desenvolvedor da $LIBRA era o mesmo envolvido no lançamento dos tokens de Melania Trump. No X, a Bubblemaps compartilhou uma thread em parceria com o Coffezilla revelando que o responsável pelo projeto, Hayden Mark Davis.
Advogados e economistas apresentam denúncia criminal contra Milei por golpe com criptomoeda $LIBRA e pedem impeachment
No sábado (15), dia seguinte ao escândalo envolvendo a $LIBRA, a crise política na Argentina se intensificou. Advogados e economistas entraram com uma denúncia criminal formal contra o presidente, alegando sua participação em um esquema de fraude financeira. Além disso, setores oposicionistas começaram a articular um pedido de impeachment. Baseando-se, assim, no suposto uso da influência presidencial para manipular o mercado de criptomoedas.
A denúncia foi apresentada à Justiça Federal Argentina por um grupo de advogados especializados em crimes financeiros e economistas renomados do país. De acordo com a peça jurídica, Milei teria cometido o crime de estelionato e manipulação de mercado. Ao incentivar seus seguidores a investirem na $LIBRA sem fornecer informações detalhadas sobre os riscos da criptomoeda. O documento cita que a simples menção pública do presidente sobre o ativo impulsionou artificialmente o preço do token, favorecendo um grupo seleto de investidores que puderam vender suas participações com lucro antes do colapso do ativo.
A oposição também enfatizou que o episódio abala a credibilidade institucional da Argentina e fere a confiança da população na administração pública. Parlamentares contrários ao governo convocaram uma sessão extraordinária para debater as implicações legais da ação de Milei, com alguns congressistas declarando abertamente que o caso poderia levar a um processo de impeachment.
A resposta do governo foi imediata. O porta-voz oficial da Casa Rosada negou qualquer envolvimento intencional de Milei em um golpe financeiro e classificou a denúncia como uma tentativa desesperada da oposição de desestabilizar o governo.
“Minha vida está em perigo”, diz desenvolvedor do projeto, Hayden Mark Davis
No domingo (16), terceiro dia após a revelação do escândalo envolvendo a criptomoeda $LIBRA e a promoção direta de Javier Milei. O caso ganhou novas camadas de complexidade. A comunidade cripto, detetives on-chain e investidores indignados ampliaram as investigações sobre os bastidores do projeto. Revelando, assim, informações alarmantes que reforçam as suspeitas de um golpe financeiro orquestrado por insiders.
A investigação conduzida pelo detetive on-chain, @DefiWimar, revelou que os principais desenvolvedores e insiders do projeto liquidaram US$ 45 milhões em apenas duas horas após o pico de valorização da $LIBRA. Confirmando, portanto, um possível esquema de pump and dump.
O desenvolvedor-chefe do projeto, Hayden Mark Davis, quebrou o silêncio em uma entrevista exclusiva ao detetive on-chain, Coffezilla. Em tom alarmante, Davis afirmou que sua “vida está em perigo” e que tem recebido ameaças constantes desde que o esquema veio à tona. Segundo ele, a criptomoeda não foi criada para fraudar investidores, e qualquer alegação de que ele teria lucrado de forma ilegal seria uma tentativa de manchar sua reputação no mercado de criptomoedas.
“Não sou o único responsável pelo que aconteceu com a $LIBRA. Existem muitas pessoas envolvidas nesse projeto e agora minha segurança está em risco. Eu nunca imaginei que a situação tomaria essa proporção”, declarou Davis.
Enquanto isso, as autoridades argentinas, já pressionadas pelo avanço do pedido de impeachment contra Milei, ampliaram as investigações para identificar a extensão da participação dos envolvidos.
Milei alega que não promoveu o projeto $LIBRA, apenas compartilhou
No quarto dia após a revelação do escândalo envolvendo a criptomoeda $LIBRA e a suposta participação do presidente Javier Milei, o impacto se refletiu diretamente no mercado financeiro argentino. A Bolsa de Valores da Argentina registrou uma queda de 5,7% no pregão do dia. Os investidores reagindo ao risco político crescente e à possibilidade de um processo de impeachment contra Milei. O peso argentino também sofreu desvalorização em relação ao dólar, evidenciando o nervosismo do mercado diante da crise.
O índice Merval, principal indicador da Bolsa de Buenos Aires, teve sua maior retração diária desde o início do governo Milei. Destacando, assim, a desconfiança de investidores estrangeiros e locais quanto à estabilidade da economia argentina sob o atual governo.
Diante da crescente pressão da mídia e da oposição, Javier Milei realizou um pronunciamento oficial na noite desta segunda-feira. Em sua fala, Milei negou qualquer envolvimento direto com a criptomoeda e afirmou que sua publicação nas redes sociais foi apenas um compartilhamento de informações, e não uma promoção oficial. O presidente alegou ser vítima de um ataque político e que a oposição está se aproveitando da situação para desestabilizar sua gestão.
“Eu apenas compartilhei informações sobre um projeto que me parecia interessante. Não tenho qualquer relação financeira ou institucional com a criptomoeda $LIBRA. O que estamos vendo aqui é um claro exemplo de perseguição política contra mim e contra o progresso da Argentina”, declarou Milei.
No entanto, a justificativa do presidente não foi bem recebida por seus críticos, que argumentam que a influência de Milei foi determinante para o crescimento exponencial do token e sua posterior desvalorização abrupta. Especialistas em finanças e direito apontam que, mesmo que Milei não tenha lucrado diretamente com o esquema, sua posição de autoridade torna sua participação um caso de manipulação de mercado passível de investigação.
Milei pode sofrer impeachment pelo escândalo da $LIBRA?
Com a escalada da crise envolvendo a criptomoeda $LIBRA, crescem os questionamentos sobre a possibilidade de um processo de impeachment contra o presidente Javier Milei. A oposição argentina já formalizou pedidos para que o Congresso investigue o caso. Alegando, portanto, que o presidente teve influência direta na valorização do token, o que configura manipulação de mercado e abuso de poder.
A base governista, por outro lado, busca minimizar o impacto do escândalo. Aliados de Milei argumentam que o presidente não teve envolvimento ativo no projeto e que sua postagem em redes sociais foi apenas um compartilhamento sem intenção de promover a criptomoeda. Além disso, juristas alinhados ao governo sustentam que não há fundamentação jurídica suficiente para um impeachment. Visto que Milei não teria lucrado diretamente com a valorização e queda do token, por exemplo.
O que diz a legislação argentina sobre impeachment?
A Constituição argentina prevê que um presidente pode ser destituído caso seja comprovado envolvimento em crimes graves. Incluindo fraude, corrupção ou abuso de poder. Porém, o processo de impeachment precisa passar por várias etapas. Incluindo uma comissão investigativa no Congresso, votação na Câmara dos Deputados e, caso seja aprovado, um julgamento no Senado.
Especialistas apontam que, para que Milei de fato seja removido do cargo, seria necessário provar judicialmente que ele participou ativamente do golpe, o que até o momento não aconteceu. No entanto, se novas evidências surgirem e demonstrarem que membros do governo se beneficiaram do esquema, o cenário pode se agravar.
Oposição pressiona e crise política se intensifica
O escândalo aumentou a polarização política na Argentina. Enquanto a oposição intensifica os ataques e exige uma investigação profunda, o governo tenta se manter firme. Argumentando que a controvérsia faz parte de uma tentativa de desestabilização.
Se o caso continuar repercutindo e impactando negativamente os mercados e a opinião pública, Milei pode enfrentar dificuldades para governar, mesmo que o impeachment não avance formalmente. O desdobramento do caso nos próximos dias será crucial para definir o futuro político do presidente e a estabilidade do governo argentino.