Ativos de cinco maiores bancos do Brasil superam o PIB com R$7,363 trilhões em meio à crise

Impulsionados pelo aumento de crédito para suprir a demanda em meio à pandemia do novo coronavírus, o volume de ativos totais dos cinco maiores bancos do Brasil atingiu R$7,363 trilhões no primeiro trimestre de 2020.

Conforme reportagem do Estadão, o valor supera, pela primeira vez, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de R$7,3 trilhões em 2019, conforme dados do IBGE publicados em março.

Assim, o Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa têm recursos equivalentes à toda a economia brasileira na palma das mãos.

De acordo com Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o aumento na proporção entre ativos dos bancos e o PIB é diretamente correlacionado com a expansão do crédito vista no país nos últimos anos, e aponta que “não é sinônimo de maior rentabilidade ou lucro”.

Em busca de segurança na crise, os investidores depositam mais nos bancos, levando a um aumento da liquidez do sistema “que já vinha muito boa e robusta”, afirma Claudio Gallina, diretor sênior de instituições financeiras da Fitch Ratings para América Latina.

No primeiro trimestre, o saldo conjunto dos empréstimos nos cinco maiores bancos brasileiros viu um crescimento de quase R$176 bilhões em relação ao fim de dezembro, totalizando R$3,312 trilhões. Um aumento de R$348 bilhões em um ano.

Empréstimos a grandes empresas, que precisam de liquidez para enfrentar a crise foram as principais responsáveis pelo salto nas carteiras dos bancos.

Junto a isso, vieram diversas críticas contra a restrição de crédito e a elevação dos juros em meio à crise econômica por parte dos bancos, apesar da injeção de R$1,2 trilhão de liquidez em medidas do Banco Central para apoiar o sistema financeiro no combate ao covid-19.

Mais de R$540 bilhões em créditos já foram concedidos pelos bancos na pandemia, segundo a Febraban, mas as instituições afirmam que diante da piora do risco da economia, o maior rigor no crédito é natural.

Renegociações e reestruturações devem ocupar o espaço do crédito novo nos próximos meses, por parte de empresas que tiveram uma queda brusca no faturamento.

Com o aumento do desemprego e a perda de renda, a demanda por crédito de pessoa física caiu no primeiro trimestre, principalmente no financiamento imobiliário, e deve continuar assim, aponta a matéria.

Até o momento, espera-se que a crise seja ainda pior do que as anteriores, incluindo a turbulência de 2009 e a crise desencadeada pela Operação Lava Jato.

A reportagem ressalta que devido a postura mais conservadora por parte da maioria dos bancos, o lucro líquido combinado do Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa diminuiu 25,6% no primeiro trimestre.

O lucro foi menor que R$18 bilhões, em comparação com o mesmo período de 2019, quando as instituições registraram mais de R$24 bilhões em lucro.

“Mesmo mantendo níveis confortáveis de solidez, liquidez e capitalização, a atual crise também atingiu o setor bancário”, disse o presidente da Febraban.

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