Banco Central holandês quer liderar o desenvolvimento de uma moeda digital europeia

O banco central holandês Nederlandsche Bank (DNB), publicou um relatório nesta quarta-feira (22), no qual se oferece para desempenhar “um papel de liderança” no desenvolvimento de uma moeda digital em conjunto com outros bancos centrais europeus.

No documento, a instituição afirma ainda que “tem uma atitude positiva em relação a um CBDC”, como são chamadas as moedas digitais emitidas por bancos centrais, e que o ativo seria um grande benefício para seus cidadãos, pois:

“Poderia servir de apoio aos pagamentos feitos em dinheiro privado, considerando que nos tornamos extremamente dependentes do dinheiro privado em um sistema de pagamento que digitaliza rapidamente.”

Além disso, o banco aponta que o uso do dinheiro físico diminuiu consideravelmente na Holanda, devido aos ecossistemas de pagamento digital, e a pandemia do Covid-19 estimulou ainda mais a adoção dessas alternativas ao dinheiro fiduciário, já que o papel-moeda pode aumentar o contágio da doença.

Tendo em vista também o projeto Libra, do Facebook, o qual o DNB encara como uma possível ameaça à estabilidade monetária, a instituição propôs a implementação de um CBDC para diversificr as redes de pagamento digital da União Europeia e criar confiança em tempos de incerteza econômica.

Assim, o banco demonstra o interesse em liderar o projeto:

“Se a decisão for tomada dentro do sistema do euro para experimentar algum tipo mais concreto de CBDC, estamos prontos para desempenhar um papel de liderança. A Holanda fornece um campo de teste adequado para esse experimento”, diz o relatório.

Segundo o DNB, há uma necessidade de anonimato no design da moeda digital, e um sistema de contratos inteligentes com uma lógica complexa “potencialmente aumenta a demanda por um CBDC e oferece oportunidades para reduzir os custos de transação”.

O relatório ressalta o interesse do banco em avançar com a pesquisa e desenvolvimento de um CBDC e insta um “amplo debate em toda a área do euro”, além de apontar que “é crucial que sejam tomadas medidas para controlar a quantidade de CBDC em circulação”.

Esse posicionamento vem em meio a aceleração da China em seus esforços para emitir a versão digital do Yuan chinês, que poderá ser utilizada nos Jogos Olímpicos de 2022, segundo o governo do país.

Recentemente, o Criptonizando entrevistou o deputado federal Luizão Goulart, que encaminhou ao Ministro da Economia, Paulo Guedes, uma indicação para que o Brasil crie uma criptomoeda para substituir o Real físico.

De acordo com um estudo recente do Bank of International Settlements, 80% dos bancos centrais do mundo estão trabalhando no lançamento de sua própria moeda digital.

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